terça-feira, 26 de maio de 2015

O que o Japão pode nos ensinar sobre colesterol e saúde?

Em relação a ações de sustentabilidade podemos aprender pelo menos 10 lições com os japoneses, são elas:
  1. Coleta seletiva de lixo
  2. Destino correto do lixo
  3. Utilização de fontes de energia renováveis
  4. Utilização de novas fontes de combustível automotivo
  5. Economia de água e energia
  6. Respeito ao meio ambiente
  7. Preferência pelo transporte coletivo
  8. Preocupação com a poluição
  9. Uso da tecnologia em favor do meio ambiente
  10. Casas sustentáveis
Para ver os detalhes destas práticas japonesas clique aqui.

No vídeo “O que o Japão pode ensinar ao Brasil?” Luiz Cama, com mais de 50 anos de experiência em Comunicação, conta um pouco sobre o que um país como o Japão pode ensinar ao Brasil. Ele fala sobre civilidade, respeito, trabalho e disciplina.



Mas o Japão também pode nos fornecer importantes aprendizados sobre Colesterol e Saúde. Escrevo esta postagem com o objetivo de apresentar algumas informações para que todos nós passemos a olhar e pensar de forma diferente sobre esse importante tema.

“Nosso desejo fervoroso é que, através deste trabalho, as pessoas possam ver que a hipótese do colesterol como fator de risco para as doenças cardíacas se baseia em dados muito fracos que por vezes foram consideravelmente distorcidos. De fato, muitos estudos no Japão realmente mostram que o colesterol desempenha um papel muito positivo na saúde. Esperamos que a Associação Japonesa de Aterosclerose [JAS], e as autoridades do governo que defendem as recomendações da JAS, reconheçam o colesterol como um amigo e não um inimigo. Enquanto isso continuaremos pressionando para aceitação de uma nova hipótese do colesterol e para a reversão o que vemos como o maior erro cometido pela ciência médica no século passado.”

Esse é o último parágrafo da conclusão de um trabalho [Towards a Paradigm Shift in Cholesterol Treatment. A Re-examination of the Cholesterol Issue in Japan] publicado em 30 Abril de 2015 no periódico “Annals of Nutrition & Metabolism”. Este trabalho é composto por 116 páginas divididas em 11 capítulos que discutem os conceitos atuais sobre colesterol e doenças cardiovasculares. Além deste parágrafo outras importantes informações são fornecidas nas conclusões, como:

“No Japão, onde a expectativa média de vida tem sido a maior do mundo a décadas, mostramos que o colesterol não é um inimigo, mas um amigo. Tem sido demonstrado que a população japonesa, em geral com altos níveis de colesterol total e/ou de LDL [lipoproteína de baixa densidade], apresenta uma baixa mortalidade por todas as causas.”

“Em relação à doença cardíaca coronariana [DCC] e colesterol alguns estudos epidemiológicos encontraram uma associação entre níveis elevados de colesterol e mortalidade por DCC em homens japoneses. Em mulheres japonesas, no entanto, esta associação foi encontrada em apenas um estudo [NIPPON DATA 80]. De fato, outros estudos têm mostrado que a mortalidade DCC em mulheres japonesas não está relacionada com os níveis de colesterol total ou até mesmo apresenta uma associação inversa. Um exame mais detalhado dos estudos que mostram a existência de uma associação positiva entre os níveis de colesterol e mortalidade por DCC em homens revela que isso é explicado, em grande parte, pela presença de participantes com hipercolesterolemia familiar [FH]. A proporção de participantes do estudo NIPPON DATA 80 com FH foi cerca de duas vezes maior que na população em geral japonesa. Além disso, as alta taxas de incidência e mortalidade de DCC vistas em pessoas com FH não pode realmente ser explicado por seus níveis de colesterol; estes níveis são essencialmente o mesmo entre as pessoas com FH que desenvolveram e  não desenvolveram DCC.”

“Os níveis de colesterol também têm alguma associação com o câncer, infecções e doença hepática. Pessoas com níveis elevados de colesterol apresentam menores taxas de incidência e mortalidade destas doenças. Com relação à doença hepática especificamente, se os níveis de colesterol são altos o suficiente, doença hepática grave não se desenvolve.”

As recomendações oficiais sobre o colesterol também foram discutidas nesse trabalho, como podemos ser no resumo do cápitulo 4 [Japan Atherosclerosis Society (JAS) Guidelines]:

“A Associação Japonesa de Aterosclerose [JAS] emitiu orientações sobre lipídeos séricos várias vezes desde 1997. Neste capítulo, discutiremos algumas de nossas preocupações sobre as diretrizes e também as implicações da aplicação destas orientações para o diagnóstico e tratamento da hiperlipidemia. A figura mais importante contida na primeira edição publicada em 1997 foi criada para refletir dos resultados de seis estudos epidemiológicos, a maioria dos que consideramos tiveram algumas falhas metodológicas notáveis. A figura apresenta uma relação claramente positiva entre os níveis de colesterol e doenças cardíacas coronárias; no entanto, nós sentimos que na verdade ela não reflete com precisão os dados disponíveis. Além disso, o alvo do tratamento recomendado pelas diretrizes JAS incialmente eram os níveis de colesterol total e mais tarde passaram os níveis de LDL [lipoproteína de baixa densidade] e seus níveis foram determinados, aparentemente, sem base científica. Também não esta clara, em qualquer das edições das orientações, a razão de por que os níveis de LDL constituem um alvo melhor do que os níveis de colesterol total. A edição de 2013 do Guia do JAS tratamento para dislipidemia é a primeira das publicações da sociedade para conter conflito de interesse.”

Em consideração ao uso das estatinas [drogas para baixar o colesterol] os autores escrevem:

“O estudo mais influente feito no Japão sobre o uso de estatinas foi Management of Elevated Cholesterol in the Primary Prevention Group of AdultJapanese [MEGA]. Infelizmente ele teve algumas falhas graves, como por exemplo, a recomendação de uma dieta tanto para o grupo de usava estatina e dieta como para o grupo que somente controlava a dieta ser conhecidamente prejudicial. Esta dieta era composta por levadas quantidades de ácidos graxos trans e reduzidos níveis de ácidos graxos ômega-3, o que de fato pode induzir doença arterial coronariana.”

“Outros estudos de intervenção com estatinas também foram falhos. Entre eles, o Japan Lipid Intervention Trial [J-LIT], que foi estudo mais citado nas Orientações da JAS 2012 J [JASG2012], não tem um grupo de controle. JASG2012 citou-o como um estudo de coorte e não fez qualquer menção ao aumento da mortalidade por qualquer causa que foi encontrada no J-LIT em os participantes cujos níveis de colesterol diminuíram acentuadamente. A ingestão de uma dieta rica em ácidos graxos saturados não se mostrou prejudicial no Japão, na verdade, ocorreu o inverso, mas JASG2012 recomendou uma dieta reduzida em ácidos gordos saturados.”

Os autores também afirmam que os efeitos adversos das estatinas são discutidos de forma limitada nas recomendações oficiais:

“Efeitos adversos importantes que envolvem o sistema nervoso, apesar de não ocorrem frequentemente, não são mencionados no JASG2012. Também não são mencionadas à relação destas drogas com câncer e diabetes. Existem relatos recentes de o risco de câncer de mama aumentar em mais de duas vezes após 10 anos de uso das estatinas. Outros efeitos adversos das estatinas incluem teratogenicidade [capacidades de gerar deformações no feto durante a gravidez], o prazer sexual deprimido, neuropatia periférica, catarata, perturbações músculo esqueléticas e disfunção hepática.”

“As orientações JASG2012 recomendam o controle mais rigoroso do colesterol em pacientes com diabetes para a prevenção primária da DCC e a utilização de estatinas para esta finalidade, apesar do fato de que as estatinas elevarem os níveis sanguíneos de glicose e hemoglobina glicosada [HbA1c] e aumento de incidentes diabetes. As estatinas alteram o metabolismo da glicose através e recentes estudos clínicos não mostraram quaisquer benefícios das estatinas para pacientes com diabetes.”

Neste trabalho podemos ler afirmações que necessitam de reflexão, são elas:

“O público japonês não é cético sobre os benefícios da terapia médica. Eles geralmente aceitam tudo que médicos dizem. Infelizmente, isso também é um problema já que os médicos não têm tempo suficiente para estudar o problema de colesterol, preferindo simplesmente aceitar as informações fornecidas pela indústria farmacêutica.”

“As diretrizes oficiais geralmente são tidas em alta conta no Japão e são usadas como mecanismos de administração da saúde pública. Os médicos tendem a simplesmente obedecer às orientações; suas cargas de trabalho, muitas vezes não lhes permitem explorar a questão de forma rigorosa o suficiente para saber a verdade e eles têm medo de litígios se não seguirem as orientações [oficiais] na prática diária.”



Finalizo esta postagem com o primeiro parágrafo da introdução deste trabalho:

“Níveis elevados de colesterol são reconhecidos como uma das principais causas da aterosclerose. No entanto, há mais de meio século alguns têm desafiado esta noção. Mas qual é o lado correto, e por que não podemos chegar a uma conclusão definitiva depois de todo esse tempo mesmo com mais dados científicos disponíveis? Acreditamos que a resposta seja muito simples: em relação ao lado que defende essa chamada teoria do colesterol [ou teoria dieta/coração], a quantidade de dinheiro envolvida “nesse jogo é muito alta” para que eles não tenham uma vitória. A questão do colesterol é um ponto da medicina onde a lei da econômica governa.”

Carlinhos

treinamentocarlinhos@gmail.com

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Amor Eterno ao Colesterol


Em momentos anteriores escrevi sobre o equívoco que a maioria dos profissionais da saúde comete ao considerar a gordura natural dos alimentos como uma fonte alimentar prejudicial para a saúde. Vocês podem acessar esses textos [escritos desde 2013] clicando nos links abaixo:







De forma geral, ainda hoje, a grande maioria das pessoas [e profissionais de saúde] dirão que os níveis de colesterol são um risco para a sua saúde cardiovascular. Porém essa afirmação não tem embasamento científico. Outras pessoas já escreveram sobre esse tema, procure informações clicando nos endereços abaixo:

www.lowcarb-paleo.blogpsot.com.br [dr. José Carlos Souto]
www.lipidofobia.blogpsot.com.br [dr. José Carlos Peixoto]

The Great Cholesterol Myth: Why Lowering Your Cholesterol Won't Prevent Heart Disease-and the Statin-Free Plan That Will [Livro]


Na revista Veja desta semana vocês poderão encontrar uma reportagem colocando todas essas idéias. Uma das partes mais importante do texto, na minha opinião é esse quadro:


Importante lembrar que a quantidade de colesterol produzida pelo fígado não depende da gordura ingerida e sim da quantidade de carboidratos da dieta.

Um importante trabalho realizado no Japão [Towards a paradigm Shift in Cholesterol Treatment ] no seu capítulo sobre mortalidade e colesterol diz o seguinte:

"All-cause mortality is the most appropriate outcome to use when investigating risk factors for lifethreatening disease. Section 1 discusses all-cause mortality according to cholesterol levels, as determined by large epidemiological studies in Japan. Overall, an inverse trend is found between all-cause mortality and total (or low density lipoprotein [LDL]) cholesterol levels: mortality is highest in the lowest cholesterol group without exception. If limited to elderly people, this trend is universal. As discussed in Section 2, elderly people with the highest cholesterol levels have the highest survival rates irrespective of where they live in the world."

Tradução: 

" Analisar todas as causas de mortalidade é o meio mais adequado
para  investigar os fatores de risco para doenças severas. Seção 1 aborda todas as causas de mortalidade de acordo com os níveis de colesterol, tal como determinado pelos grandes estudos epidemiológicos no Japão. No geral, um tendência  inversa foi encontrada entre a mortalidade por todas as causas e os níveis totais de colesterol (ou lipoproteína de baixa densidade [LDL]): a mortalidade é mais elevada no grupo com níveis mais baixos de colesterol, sem exceção.
Se limitado somente as pessoas idosas, esta tendência é universal. Como discutido na Seção 2, os idosos com o níveis mais elevados de colesterol têm as mais altas taxas de sobrevivência independentemente do local onde vivem no mundo."

Espero que essas informações façam com que as pessoas passem a considerar a necessidade de que muitas informações sobre saúde precisam ser revistas a luz de uma Abordagem Evolutiva e da Ciência Baseada em Evidências.

Carlinhos
treinamentocarlinhos@gmail.com







quinta-feira, 21 de maio de 2015

Lanche nas Escolas

Em agosto de 2013 o Senado Federal aprovou um projeto de lei que proíbe que as cantinas e lanchonetes instaladas nas escolas comercializem bebidas de baixo teor nutricional [como refrigerantes] e também alimentos com quantidades elevadas de gordura saturada e sódio.

Quando esse projeto de lei foi aprovado outros seis estados [Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Mato Grosso, Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná] e mais onze municípios [Aracaju/SE, Itapetininga/SP, Campo Grande/MS, Florianópolis/SC, Rio de Janeiro/RJ, Ribeirão preto/SP, Belo Horizonte/MG, Pelotas/RS, Natal/RN, Jundiaí/SP e Porto Alegre/RS] também proibiram ou regulamentaram a oferta de alimentos nas escolas.

Em 20 de Janeiro de 2015 o governo da Paraíba proibiu a venda de refrigerantes pelas escolas de rede pública e privada através da Lei N° 10.431. Mais recentemente uma escola de Porto Alegre proibiu a venda de balas [guloseimas] e refrigerantes nas suas dependências [veja aqui].


Uma campanha para que as crianças tenham uma alimentação saudável tanto na escola quanto em casa é extremamente louvável e importante. Nesse caminho o famoso chef de cozinha Jamie Oliver lançou a campanha Food Revolution Day que tem a intenção de lutar pela educação alimentar de todas as crianças.


Todas essas iniciativas possuem grande mérito. Porém alguns pontos importantes precisam ser colocados. Pois com pai o que realmente me preocupa são os fundamentos e conceitos da ciência da saúde e da sociedade que levam a necessidade de proibir determinado tipo de alimento para nossas crianças.


Porque proibir os refrigerantes?

Essa resposta quando fornecida pela maioria das pessoas vai incluir expressões como:
  • Eles têm muito sódio...
  • Refrigerante é puro açúcar...
  • Possuem substâncias cancerígenas...

Açúcar x Saúde

Anteriormente já escrevi sobre os riscos do açúcar para a saúde [veja aqui] em 2013 um importante trabalho [link] demonstrou que 150 calorias de açúcar ingeridas por dia, aumentam o risco de diabetes em 10%. Isso significa ingerir 37,5 gramas de açúcar por dia, mais ou menos 7 colheres de chá!

O motivo pelo qual a ingestão elevada de açúcar é um risco para nossa saúde é que ele altera o metabolismo de um hormônio chamado Insulina, levando a um fenômeno denominado de resistência a insulina. Essa alteração faz com que a insulina produzida no pâncreas não consiga diminuir eficientemente o nível de glicose sanguínea que tenha se elevado, por exemplo, após uma refeição. Isso acontece, pois os receptores de insulina das células apresentam uma falha no reconhecimento deste hormônio. Esse aumento da resistência à insulina acontece quando o corpo fica exposto frequentemente a elevados níveis desse hormônio, gerados por repetidas elevações da glicose que são decorrência de uma dieta rica em alimentos como faz o açúcar.


Atualmente acredita-se que a resistência à insulina seja um ponto importante em diversas patologias, além do diabetes. Para saber um pouco mais sobre esse tema, sugiro que vocês leiam uma postagem anterior chamada “E se medicina estiver olhando para o lado errado” e também clique aqui e aqui.

Outra questão importante sobre o açúcar é que ele é uma substância viciante, como a cocaína e outras drogas, se você quiser entender por que clique aqui, aqui e aqui.

Dessa forma posso dizer que se justifica a intenção de proibir da venda dos refrigerantes nas escolas quando se considera o açúcar. Mas outras bebidas e alimentos possuem tanto ou mais açúcar.

 

Sódio x Saúde

O motivo pelo qual os refrigerantes têm elevadas quantidades de sódio é porque isso faz com que você tenha sede ao tomar um refrigerante e assim você vai beber mais um e mais um e continuar com sede. É dessa forma que a indústria aumenta as vendas. E na realidade o problema do sódio no refrigerante é que ele vai fazer você ingerir mais açúcar.


Os riscos de uma pessoa vir a ter problemas de hipertensão com a ingestão de sódio é muito reduzido, principalmente se a alimentação for baseada em alimentos de verdade rica em nutrientes, gorduras naturais e proteínas e reduzida em alimentos processados e carboidratos. Se você quer entender por qual motivo o sódio não é o vilão que muitas pessoas dizem ser clique aqui.

Em Janeiro de 2015 foi publicado um trabalho [link] chamado “The wrong white crystals: not salt but sugar as aetiological in hypertension and cardiometabolic disease”, que chegou as seguintes conclusões sobre o sal e o sódio na dieta:

O que já se sabe sobre este assunto?
  • A doença cardiovascular é a principal causa de mortalidade prematura no mundo desenvolvido, e hipertensão é o seu fator de risco mais importante.
  • Controlar a hipertensão é um dos principais focos das iniciativas de saúde pública, e abordagens dietéticas historicamente focadas no sódio.

O que pode este estudo acrescentar?
  • As fontes predominantes de sódio na dieta, alimentos processados, geralmente também possuem elevados níveis de açúcares, cujo consumo pode estar diretamente relacionado com hipertensão e riscos cardio metabólicos.

Que impacto este trabalho gera na prática clínica?
  • Os médicos devem mudar o foco do sal e concentrar maior atenção ao açúcar.
  • Uma redução na ingestão de açúcares adicionados, particularmente frutose, e especificamente nas quantidades nos alimentos industrializados, ajudaria não só na redução das taxas de hipertensão, mas também poderia ajudar a resolver problemas mais amplos relacionados com as doenças cardíacas e metabólicas.

As crianças e nós não devemos tomar refrigerantes porque eles têm sódio. Tendo mais sódio eles geram sede. E assim ingerimos grandes quantidades de açúcar e isso irá gerar hipertensão e outros problemas.


Substâncias Cancerígenas

A indústria de bebidas e alimentos utiliza os corantes para conferir, intensificar ou restaurar a coloração dos seus produtos. Isso proporciona não só uma aparência mais convidativa, sob o ponto de vista sensorial, mas também é de suma importância sob o ponto de vista tecnológico, para garantir a uniformidade do produto. O mercado mundial de corantes movimenta anualmente cerca de U$ 950 milhões. Esta situação se deve principalmente, pela sua utilização nas indústrias de refrigerantes do “tipo cola” sendo que no Brasil também participa na formulação dos refrigerantes, sabor guaraná, maçã, abacaxi, tutti-frutti, assim como em bebidas alcoólicas. Em volume de produção, o consumo mundial de corante caramelo ultrapassa 200.000 toneladas/ano e responde por mais de 80% (em peso) de todos os corantes adicionados em alimentos e bebidas [link].

Isso parece comida?!

Existe nos refrigerantes e outras bebidas uma substância chamada de Corante Caramelo IV [4-metilimizadol] que é uma molécula que se forma durante o processo de aquecimento e caramelização. Nos USA [na Califórnia] essa substância é considerada cancerígena desde 2012. Essa decisão pode ser justificada pelas conclusões de um trabalho que demonstrou o potencial cancerígeno do Corante Caramelo IV em ratos [link]. Um trabalho publicado em 2015 [link] demonstrou que alterações na legislação Americana foram efetivas para a redução da quantidade de substâncias cancerígenas existente nos refrigerantes.


Infelizmente o Brasil é o país em que é permitida a maior quantidade, são 267 microgramas  [mcg] a cada 355 ml de bebida. Em segundo e terceiro lugar estão o Quênia e o Canadá, respectivamente, com 177 mcg e 160 mcg.

É claro que estudos em animais não podem nos levar a conclusão que essa substância possa realmente causar câncer em humanos. Mas o “simples” fato de os refrigerantes terem açúcar já é motivo suficiente para não tomarmos, o risco de câncer é simplesmente a “cereja do bolo”.

Outros alimentos podem gerar alterações semelhantes as gerada pelo açúcar?

O açúcar está associado com diabetes, obesidade, câncer e outras doenças. Essa associação ocorre porque ele gera [após a ingestão] uma elevação da glicose sanguínea e consequente aumento dos níveis de insulina. Como dito anteriormente, se sua dieta for rica em açúcar, sua insulina se manterá elevada por maiores períodos. Com o passar do tempo você terá que secretar mais e mais insulina para diminuir os níveis de glicose após as refeições. E essa desregulação da insulina poderá levar a uma série de problemas de saúde.

Acontece que elevações dos níveis de glicose no sangue após as refeições também ocorrem com outros alimentos. Todos os alimentos que contêm carboidratos tem esse potencial, alguns mais outros menos. Os alimentos ricos em amidos e aqueles feitos com grãos, como os pães [branco ou integral], são os que possuem maior capacidade de elevação da glicose. Aquelas bolachinhas integrais, as bolachinhas recheadas, as barras de cereais, os salgados fritos ou assados, cereais em pacote, granola e algumas frutas ricas em carboidratos também irão desencadear as alterações já citadas.


Sim! A insulina tem um lado prejudicial, ela engorda, ela gera inflamação e diabetes. Mas apesar de isso ser verdade, a insulina está longe de ser um hormônio que existe para nos sacanear. Antes pelo contrário. Os problemas surgem quando ela não funciona devidamente, o que infelizmente é bem comum hoje em dia devido aos equívocos do que considera uma alimentação saudável. Equívocos que levam ao que chamamos resistência à insulina. Quando tudo funciona bem, algumas das suas ações são:
  • A promoção da saciedade;
  • O gasto de mais energia;
  • Formação da massa muscular.

A proibição de alimentos ricos em gorduras saturadas faz sentido?

Sobre esse tema já escrevi diferentes vezes [e outros autores também]. Vou resumir e dizer que não existe justificativa científica para que uma pessoa não coma a gordura natural dos alimentos, inclusive a saturada. Com exceção das gorduras trans e dos óleos vegetais ricos em ômega-6, todas as outras gorduras [da picanha, da costela, do coco, do abacate e do azeite de oliva] são fundamentais para uma dieta saudável. E devem ser ingeridas em quantidade maiores as recomendações tradicionais indicam. Para entender mais sobre isso clique aqui e aqui.


O que realmente vai fazer diferença para a saúde das nossas crianças hoje a amanhã?

Essa resposta é simples! Fazer com que elas tenham uma alimentação baseada em comida da verdade, ingerindo gordura natural dos alimentos sem medo, reduzindo a ingestão de carboidratos e também de produtos processados.

Também é importante frisar que os grãos integrais ou não, podem na realidade não serem tão saudáveis quanto muitos imaginam. Para entender isso clique aqui e tire suas conclusões.

Para finalizar, somente proibir refrigerantes ou balas não será suficiente para que o lanche de nossas crianças seja saudável. O problema somente será resolvido quando os profissionais da saúde começarem a usar uma abordagem evolutiva e a ciência baseada em evidências para acabar com os mitos criados sobre alimentação.


A solução realmente efetiva é educação alimentar para as crianças, para os pais, para os professores e para todos. Isso realmente irá fazer diferença!

Carlinhos

treinamentocarlinhos@gmail.com