terça-feira, 28 de outubro de 2014

Um livro muito útil!

Para grande maioria das pessoas a maior dificuldade para uma modificação efetiva de hábitos alimentares é o que comer no dia a dia, para facilitar essa transição nossa amiga Didi D'Addio lançou um livro eletrônico [EBook] com mais de 50 receitas.



É o primeiro livro de receitas para quem faz a dieta paleo em português, nele você encontrará receitas fáceis para todas as refeições. Todas as receitas foram preparadas pela autora e Chef de Cozinha Paleo, Dirlene D'Addio.

O livro esta dividido em categorias para facilitar o manuseio, tais como, carnes, peixes, ovos, sobremesas e muito mais!

Se você quiser ter o seu clique AQUI.

Carlinhos
treinamentocarlinhos@gmail.com

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Uma informação vital!

Hoje recomendo a leitura de uma importante postagem do Dr. Souto (link). Nesra postagem ele trata de uma questão relevante, que é o fato de que muitos profissionais da saúde tentam desencorajar seus pacientes e clientes de seguirem uma Dieta Evolutiva, que é baseada em alimentos de verdade, não ter medo de carne e gorduras naturais, uma menor ingestão de carboidratos, eliminação de grãos e máxima redução possível de alimentos industrializados.

Esse desencorajamento não apresenta sustentação científica e a ciência já demonstrou de forma muito clara que a Alimentação Evolutiva (lowcarb/paleo) é pelo menos igual as recomendações tradicionais para uma alimentação saudável.

Na realidade e as evidências científi as mostram que a Alimentação Evolutiva é superior.

Uma vez o autor de postagem que recomendo me disse qhe eu não devia simplesmente acreditar no que ele estava me dizendo e sim buscar interpretar o que a ciência baseada evidência e tirar minhas conclusões.

O motivo pelo qual faço a recomendação de hoje, como fiz em vezez anteriores, é o por que cheguei a um interpretação igual a sua sobre as questões da alimentação e suas relações com a saúde.

Outro motivo é que no último sábado (18) ocorreu na PUC em Porto Alegre a jornada dos formandos da nutrição, com o tema "dietas da moto". E entre essas dietas estava inclusa e Dieta Evolutiva, mostrando que a formação dos profissionais da saúde precisa rever conceitos.

Boa leitura!
Carlinhos
treinamentocarlinhos@gmail.com

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Dia Mundial da Alimentação

Espero que nesse 16 de outubro os conceitos sobre alimentação saudável deixem de ser fundamentados em alicerces que não tenham como blocos básicos de construção a Evolução Humana, a Ciência Baseada em Evidência e a Busca Lógica da Verdade.


Não tenho certeza se este cartaz [que encontrei na internet] é desse ano, mesmo assim desejo que todos tenham "direito á alimentação" composta por comida de verdade.

Gostaria de aproveitar essa data a parabenizar todos aqueles, profissionais da saúde ou não, que tem se dedicado a mostrar como as pessoas podem melhorar sua saúde e evitar doenças através da alimentação.

Abaixo coloco alguns links criados por pessoas que representam todos esses profissionais, peço desculpas pois não é possível citar todos.

www.lowcarb-paleo.com.br

www.paleodiario.com.br

www.nutridaspanelas.blogspot.com.br

www.primalbrasil.com.br

www.deliartcakecreations.com

www.professoradolfo.blogspot.com.br

Carlinhos
treinamentocarlinhos@gmail.com


quinta-feira, 9 de outubro de 2014

A Culpa é das Estrelas 3 - O Reforço

NOTA: Se você não leu as duas postagens anteriores [ A Culpa é das Estrelas?! e A Culpa é das Estrela?! - Parte 2] acesse aqui e aqui.

Em breve você poderá assistir a terceira partes do filme a "Culpa é das Estrelas?!". 

Nesta continuação houveram algumas alterações, tanto na direção quanto no elenco.

O diretor Josh Boone foi substituído pelo "Abordagem Evolutiva", que já dirigiu outros sucessos das telona.
Josh Boone

A atriz Shaillene Woodley deu lugar a filha do novo diretor, que se chama "Dieta Evolutiva Lowcarb Paleo" e no ator Ansel Elgord vocês poderam ver o grande desempenho de "Ciência Baseada em Evidência".
Shailene Woodley
Ansel Elgort

Nessa nova versão o tema principal é a reversão da perda de memória causada pelo Mal de Alzheimer e por outras doenças que geram perda da capacidade cognitiva. Essa reversão é causada por uma série de alterações no estilo de vida e na alimentação, o ponto principal das alterações na alimentação é a eliminação dos carboidratos, trigo e comida processada.

Tá legal! Fora a brincadeira, o negócio é sério.

O Mal de Alzheimer é considerada um doença sem cura e o tratamento é paliativo, como podemos concluir depois de ler as informações encontradas no site da Associação Brasileira de Alzheimer.
Até o momento, não existe cura para a Doença de Alzheimer. Os avanços da medicina têm permitido que os pacientes tenham uma sobrevida maior e uma qualidade de vida melhor, mesmo na fase grave da doença. As pesquisas têm progredido na compreensão dos mecanismos que causam a doença e no desenvolvimento das drogas para o tratamento. Os objetivos dos tratamentos são aliviar os sintomas existentes, estabilizando-os ou, ao menos, permitindo que boa parte dos pacientes tenha uma progressão mais lenta da doença, conseguindo manter-se independentes nas atividades da vida diária por mais tempo. Os tratamentos indicados podem ser divididos em farmacológico e não farmacológico.
Mas parece que o inicio para a mudança de quadro começa e tomar corpo no meio da ciência. A cerca de um ano o site UOL publicou seguinte reportagem:


Manchetes que anunciam "cura do Alzheimer" ou "grande descoberta em Alzheimer" são comuns e, nesta semana, mais uma se juntou a elas.
Ainda são necessárias mais pesquisaspara desenvolver uma droga que possa ser usada por doentes. Mas os cientistas dizem que um medicamento feito a partir da substância poderia tratar doenças como alzheimer, Mal de Parkinson, Doença de Huntington, entre outras.
O jornal britânico The Times anunciou "Cura para o Alzheimer 'está ao alcance'" na primeira página. O The Independent saiu com "Cientistas comemoram descoberta histórica na guerra contra o Alzheimer".
Apesar de não se tratarem de manchetes novas, uma grande diferença desta vez é que cientistas cautelosos estão sugerindo que a última descoberta pode ser realmente histórica.
Quase todas as notícias publicadas sobre o assunto têm uma frase do professor Roger Morris, do King's College de Londres.
"Suspeito que esta descoberta será julgada pela história como um momento decisivo na busca de medicamentos para controlar e evitar o alzheimer", disse o cientista.

Momento importante

A fonte primordial de tanta animação é que a substância química descoberta suspendeu a morte de células do cérebro em um cérebro vivo, que, de outra forma, teria morrido devido a uma doença neurodegenerativa.
Quando entrevistei o professor Morris na noite de quarta-feira, ele usou a palavra "marco" várias vezes.
No estudo do Conselho de Pesquisa Médica na Universidade de Leicester, foram usados camundongos com uma doença semelhante à forma humana da doença da vaca louca. Dentro de oito semanas, os cérebros dos camundongos se deterioraram tanto que a memória e os movimentos estavam afetados. Na 12ª semana, os camundongos estavam mortos.
Mas, quando outros camundongos infectados com a mesma doença receberam um "composto parecido com medicamento", eles sobreviveram às 12 semanas sem sinais de morte de tecido cerebral. A substância química também causou efeitos colaterais como perda de peso e diabetes.
Outra fonte de otimismo são as implicações desta descoberta.A substância química ajuda o cérebro a lidar com a produção de proteínas defeituosas. O alzheimer tem uma proteína deformada específica, assim como o Mal de Parkinson e a Doença de Huntington.
A resposta do cérebro a todas estas doenças é suspender a produção de proteínas, mas isto acaba matando as células do cérebro. A substância química descoberta ajuda as células do cérebro a ignorar estas proteínas deformadas, e a continuar funcionando, vivo.

Traços em comum

No passado, a pesquisa em doenças neurodegenerativas se concentrou no que era único àquelas doenças. Esta abordagem analisa o que todas têm em comum. E, se a descoberta realmente funcionar, então levanta a possibilidade de um único medicamento para curar ou evitar quase todas as formas de neurodegeneração.
"Se [a substância] paralisa a degeneração do cérebro, vai parar a doença em pessoas que já têm. E se podemos detectar a doença cedo, vai evitar muita degeneração", afirmou Giovanna Mallucci, que liderou a pesquisa.
"A esperança é deter a morte de células do cérebro e isto é o que é tão animador", acrescentou.
Vale destacar que as descobertas precisas do estudo, uma substância química tóxica que os pesquisadores sequer chamam de medicamento, paralisa a morte de células do cérebro em camundongos.
Claramente, isto não é uma cura, mas abre caminho para uma. Dá às companhias farmacêuticas e cientistas algo para trabalhar.
Este processo levará tempo, provavelmente mais de uma década, sem garantias de sucesso no final.

Exemplos

Na história recente da pesquisa médica há muitos exemplos de medicamentos que pareciam promissores em camundongos, mas acabaram decepcionando quando testados em humanos.
Esta substância química funciona em um cérebro de camundongo, que tem 75 milhões de neurônios. Um cérebro humano, mais complexo e com 85 bilhões de neurônios, é muito diferente.
Simon Ridley, chefe do setor de pesquisa da organização de caridade britânica especializada em alzheimer, Alzheimer's Research UK, disse à BBC que os pacientes terão que esperar muito.
"Temo que [a espera] será mais longa do que qualquer um de nós gostaria. Acredito que há muitas pessoas que estão desesperadas por qualquer notícia sobre novos tratamentos, que eles gostariam de fazer hoje", afirmou.
"Acho que neste estágio poderíamos esperar uma década antes de sabermos se será eficaz", acrescentou.
Essa reportagem mostra o entusiasmo da comunidade científica com a descoberta de uma substância que pode reverter a morte dos neurônios em ratos, mas que precisará passar por teste com humanos e quem sabe seja necessário uma década para que isso se confirme. A reportagem também ressalta que em outros momentos da ciência outros medicamentos que eram promissores nos trabalhos com animais não tiveram sua eficácia confirmada quando testados em humanos.

Se a comunidade científica mostrou todo esse entusiasmo com essa notícia o que será que farão quando lerem a que reproduzo abaixo, que tem o como título a seguinte frase:


Alzheimer: Perda de memória revertida pela 1.ª vez



Pela primeira vez, um investigador conseguiu reverter a perda de memória em pacientes com doença de Alzheimer através de um programa personalizado e complexo de tratamento testado num pequeno ensaio clínico e que melhorou, subjetiva ou objetivamente, o estado de saúde dos voluntários.
 
O ensaio clínico foi coordenado por Dale Bredesen, investigador da Universidade da Califórnia - Los Angeles, nos EUA, e é o primeiro a sugerir que a perda de memória pode ser revertida (e que é possível manter as melhorias) através de um programa terapêutico com 36 diretrizes.
 
programa em causa, desenvolvido por Bredensen, e cuja eficiência foi dada a conhecer num estudo publicado na revista científica Aging, envolve alterações na dieta, estimulação cerebral, exercício físico, incremento da qualidade do sono, administração de fármacos e vitaminas específicas e diversos outros passos que afetam as propriedades químicas do cérebro.
 
"Os fármacos existentes, atualmente, contra o Alzheimer, dirigem-se um único alvo, mas a doença é mais complexa do que isso. É como ter um telhado com 36 buracos e um medicamento que tapa apenas um deles, embora muito bem", explica Bredensen em comunicado divulgado pela universidade norte-americana.
 
"O medicamento pode funcionar, e um dos buracos pode deixar de existir, mais ainda há outros 35 e o processo que os causa não é verdadeiramente combatido", acrescenta o investigador, cuja abordagem pretende, portanto, ser personalizada e baseada numa ampla série de testes para compreender o que degrada a plasticidade cerebral em cada caso.
 
O cientista submeteu 10 pessoas a um conjunto de mudanças ao nível do estilo de vida, desde a eliminação total dos hidratos de carbono, do glúten e dos alimentos processados da dieta, passando pela prática de meditação duas vezes por dia, pela ingestão de vitaminas e óleos de peixe, entre outras alterações.
 
Seis dos pacientes envolvidos tinham sido obrigados a deixar de trabalhar ou estavam a ter dificuldades em cumprir com as funções e, em sequência do ensaio clínico, conseguiram regressar aos antigos empregos ou continuar a trabalhar com melhorias ao nível da performance, melhorias que se mantiveram ao longo do tempo.
Segundo Bredensen, todos beneficiaram de melhorias à excepção de uma pessoa com Alzheimer em estado avançado, situação que já não pôde ser contrariada mesmo com o seguimento das diretrizes estabelecidas.

Tratamento tem efeitos secundários positivos
 
O investigador destaca que a complexidade do programa é a maior dificuldade do tratamento, já que o mesmo coloca um grande peso sobre os ombros dos pacientes e dos cuidadores: nenhum dos pacientes foi capaz de seguir totalmente à risca o protocolo, sendo a principal queixa a necessidade de alterar a dieta e de tomar uma grande quantidade de vitaminas por dia.
 
Ainda assim, Bredensen acredita que se trata de uma terapia vantajosa, especialmente porque os efeitos secundários que se fazem sentir são positivos. "Os principais efeitos secundários deste sistema terapêutico são uma melhor saúde e um melhor índice de massa corporal, uma grande diferença em relação aos efeitos de muitos fármacos", salienta.
 
Os resultados indicam que a perda de memória pode ser revertida, mas o coordenador do ensaio clínico alerta que será preciso replicar estas conclusões para apurar a verdadeira eficiência do programa.
 
"É necessário um ensaio clínico mais amplo, não apenas para confirmar ou anular os resultados aqui obtidos, mas para analisar questões como o grau de melhoria que é possível obter diariamente, até que fase da doença é possível reverter a perda de memória", entre outros aspectos, conclui.

Essa reportagem fala de um trabalho publicado em setembro de 2014 que tem como título: Reversal of cognitive decline: A novel therapeutic program. Os efeitos benéficos dessas alterações na alimentação e estilo de vida se mostraram eficazes a longo prazo e podem ser consideradas com uma plataforma de tratamento que possibilitaria que medicações e outras terapias isoladas tivessem sucesso. 

Acredito que essas informações demonstrem que uma alteração na alimentação [Dieta Evolutiva] que engloba:
  • Eliminar os grãos
  • Reduzir a ingestão de carboidratos 
  • Eliminar a comida processada
  • Aumentar a ingestão de gordura natural dos alimentos
Que eu já havia sugerido nas postagens anteriores [aqui e aqui] pode não só prevenir o Mal de Alzheimer e de outras doenças que afetam a capacidade cognitiva, como também trazer benefícios secundários para saúde.

Sei também, como diz o autor, que é bastante difícil modificar a alimentação. Mas pensem no seguinte, pode ser a alimentação a causadora dessa e de outras doenças modernas, será que não vale a pena o esforço de mudar ao invés de culpar as estrelas?

Carlinhos
treinamentocarlinhos@gmail.com


terça-feira, 7 de outubro de 2014

Alimentação e Exercício - O Sal

Reportagens como a que reproduzo abaixo são bastante comuns e sempre nos mostram os perigos do sal e do sódio.


Esta reportagem é de 2012 esta no site G1 [link].

O sal está na mira das autoridades de saúde do Brasil. Um acordo entre o Ministério da Saúde e os representantes da indústria alimentícia determinou a redução nos níveis de sal em vários tipos de alimentos, que será implantada ao longo dos próximos anos. 
Isso acontece porque o sal aumenta a pressão arterial, uma doença silenciosa, que vai danificando aos poucos as nossas veias e artérias. Quando menos se espera, ela pode resultar num infarto ou num acidente vascular cerebral (AVC). Nos dois casos, a vítima pode morrer ou sobreviver com sequelas.
O Bem Estar desta quinta-feira (19) mostrou a por que o sal aumenta a pressão e quanto da substância existe em alguns dos alimentos que já compramos prontos. A pediatra Ana Escobar, a nutricionista Silvia Cozzolino e Denise de Oliveira Resende, gerente geral de alimentos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) foram as convidadas do programa.
Na verdade, o elemento que causa a hipertensão arterial – nome que os médicos dão para a pressão alta – é o sódio. O nome do sal de cozinha na química é cloreto de sódio, ou seja, é composto por cloro e sódio. Cada grama de sal contém 400 miligramas de sódio. Por isso, essa é a nossa principal fonte do elemento, e também o maior motivo para preocupação.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, o ideal é não ultrapassar o limite de consumo de 2 gramas de sódio por dia, o que equivale a 5 gramas de sal. Mas o brasileiro está longe de cumprir essa meta. Em média, cada um de nós come 12 gramas de sal por dia.
O sal que consumimos não está só no saleiro, nem só na hora de temperar o arroz e o feijão. Alimentos industrializados o utilizam como conservante, e temos que incluir esse sódio na conta. A tabela acima mostra quanto sódio têm alguns alimentos. Sempre leia o rótulo com atenção, pois todo produto industrializado deve trazer a indicação da quantidade de sódio no quadro de informações nutricionais.
O processo

A função dos rins é eliminar o excesso de sais do corpo humano, mas eles têm um limite. O que os rins não conseguem eliminar fica na corrente sanguínea. Quando os vasos sanguíneos ficam cheios de sódio, eles começam a puxar mais água, o que é um processo químico natural.
Com a retenção do líquido, aumenta o volume dentro dos vasos, e consequentemente a pressão também aumenta. O coração passa a bombear o sangue mais rapidamente.
Isso é uma sobrecarga do sistema circulatório e, aos poucos, prejudica a oxigenação das células e machuca a parede dos vasos – sem causar dor, por isso é uma doença silenciosa. Sobrecarregadas, essas artérias podem sofrer algum estreitamente repentino e entupir. Se isso ocorre no cérebro, é um AVC; se ocorre no coração, é um infarto.
Se o consumo de sódio for baixo, acontece o processo contrário. O sangue circula mais lentamente, o que também prejudica a oxigenação das células, e pode causar desmaios. Por isso, durante uma crise de hipotensão arterial – pressão baixa –, um pouquinho de sal é o melhor remédio.
Em adultos, a pressão arterial ideal é 120x80 mmHg, popularmente conhecida como 12x8. Nas crianças, a pressão é um pouco mais baixa, e vai aumentando naturalmente com a idade, até atingir o nível dos adultos.
Porém, apesar de "escutarmos" que o excesso de sal gera hipertensão e que a redução dietética de sal irá trazer benefícios para a saúde, na ciência isso não é um consenso como essa reportagem pode fazer parecer.
Em julho de 2013 o foi publicado um artigo [link] onde o Centro de Controle de doenças dos EUA admite que as recomendações de redução do sal não estavam corretas. o Dr. José Carlos Souto nos fez o grande favor de traduzir esse texto, abaixo reproduzo a tradução.
Durante décadas, o governo vem tentando - e falhando - em fazer com que os americanos comam menos sal. Em abril de 2010, o Instituto de Medicina exortou o FDA a regular a quantidade de sal que os fabricantes de alimentos colocam em seus produtos; o prefeito de Nova Iorque, Michael Bloomberg, já convenceu 16 companhias a fazê-lo voluntariamente. Mas, e se os EUA realmente conseguirem reduzir o sal, o que ganharemos? Batatas fritas sem gosto, com certeza. Mas também uma nação mais saudável? Não necessariamente.


Esta semana, uma metanálise de sete estudos envolvendo um total de 6250 pessoas publicada no American Journal of Hypertension não encontrou nenhuma evidência forte de que cortar o sal reduza o risco de ataques cardíacos, derrames ou morte em pessoas com pressão normal ou alta. Em maio, pesquisadores europeus, no Journal of the American Medical Association (JAMA), relataram quequanto MENOS sódio as pessoas excretavam na sua urina (uma excelente medida de seu consumo de sal) - MAIOR era o seu risco de morrer do coração. Tais achados questionam a sabedoria convencional de que sal em excesso faz mal para você. Mas a verdade é que as evidências ligando o sal à doença cardíaca SEMPRE foram tênues.


O medo do sal surgiu há mais de um século. Em 1904 médicos franceses relataram que 6 de seus pacientes hipertensos - um risco conhecido para doença cardíaca - gostavam de sal. O receio aumentou muito na década de 1970, quando Lewis Dahl do Laboratório Nacional de Brookhaven alegou possuir “evidências científicas inequívocas” de que o sal causava hipertensão: ele induziu pressão alta em ratos alimentando-os com o que equivaleria a MEIO QUILO de sódio por dia para um humano (hoje, um americano médio consome cerca de 3,4g de sódio, ou 8,5g de sal, por dia).


Dahl também descobriu tendências populacionais que continuam a ser citadas como se fossem fortes fortes evidências da relação entre o consumo de sal e pressão alta. Pessoas vivendo em países com alto consumo de sal - como o Japão - também tendiam a ter pressão alta e derrames. Mas, como um artigo indicou anos depois no American Journal of Hypertension, os cientistas não tiveram muita sorte ao procurar tais associações quando comparavam o consumo de sódio entre pessoas dentro de uma mesma população, o que sugeria que a genética ou outros fatores culturais/ambientais pudessem ser os culpados. Ainda assim, em 1977 o Senado dos EUA, através do Comitê de Nutrição e Necessidades Humanas, produziu um relatório recomendando que os americanos cortassem seu consumo de sal entre 50 e 85%, baseado principalmente no trabalho do Dr. Dahl.


As ferramentas científicas foram muito aperfeiçoadas desde então, mas a correlação entre consumo de sal e má saúde permaneceu tênue. Intersalt, um grande estudo publicado em 1988, comparou o consumo de sal com a pressão arterial em pessoas de 52 centros de pesquisa pelo mundo e não achou nenhuma correlação entre consumo de sal e prevalência de hipertensão. Ao contrário, as populações que comiam MAIS sal, cerca de 14g por dia, tinham pressão arterial MAIS BAIXA, em média, do que os que comiam menos sal - cerca de 7,2g por dia. Em 2004, a Colaboração Cochrane, uma organização internacional de pesquisa em saúde, independente e sem fins lucrativos, que recebe parte dos seus fundos do Departamento Americano de Saúde, publicou uma revisão de 11 ensaios clínicos de redução de sal na dieta. No longo prazo, dietas de redução de sal, quando comparadas a dietas com sal normal, diminuíram a pressão arterial sistólica (o número mais alto da medida) em pessoas saudáveis em 1,1 milímetros de mercúrio (mmHg) e a pressão diastólica (o número mais baixo) em 0,6 mmHg. Isso equivale a mudar de 120/80 para 119/79. A revisão concluiu que “intervenções intensivas de redução do sal, além de pouco práticas no contexto da atenção primária à saúde, produzem reduções mínimas na pressão arterial em estudos de longo prazo”. Uma outra revisão da Cochrane de 2003, com 57 estudos de duração mais curta, também concluiu que “há pouca evidência de benefício a longo prazo na redução do consumo de sal”.


Estudos que exploraram a relação direta entre sal e doença cardíaca também não tiveram um desempenho muito melhor. Entre eles, um estudo do JAMA de 2006 comparou o consumo referido por 78 milhões de americanos com seu risco de morrer de doenças cardiovasculares em um período de 14 anos. O resultado foi que quanto MAIS sódio as pessoas consumiam, MENOR era o seu risco de morrer do coração. E um estudo de 2007 publicado no European Journal of Epidemiology seguiu 1500 pessoas idosas por 5 anos e não encontrou nenhuma relação entre os níveis de sódio excretados na urina e o risco de doença vascular coronariana e morte. Para cada estudo que sugere que o sal possa não ser saudável, há outro estudo que sugere o contrário.


Parte do problema é que os indivíduos variam em como seus organismos respondem ao sal. “É muto difícil destrinchar estas associações”, admite Lawrence Appel, um epidemiologista da Johns Hopkins University e chefe do comitê sobre o sal das Diretrizes Americanas sobre Dieta de 2010. Um estudo de 1987, frequentemente citado, publicado no Journal of Chronic Diseases, relata que o número de pessoas que apresenta QUEDA de pressão após comer MAIS sal é quase igual ao número que apresenta picos de pressão alta. E muitas pessoas permanecem com sua pressão inalterada. Isto porque “o rim humano é feito para regular a excreção de sal de acordo com o quanto se ingere”, explica Michael Alderman, um epidemiologista da Faculdade de Medicina Albert Einstein e ex-presidente da Sociedade Internacional de Hipertensão.


Alguns médicos argumentam que embora uma minúscula queda na pressão não tivesse nenhum efeito para o indivíduo - ela não afetaria seu risco de ter um ataque cardíaco - ela poderia acabar salvando vidas em nível populacional, em parte porque uma pequena proporção das pessoas, incluindo alguns afro-americanos e alguns idosos, são hipersensíveis ao sal. Por exemplo, um estudo publicado no New England Journal of Medicine estima que cortar o consumo de sal em 35% poderia salvar 44.000 americanos por ano. Mais tais estimativas também não são evidências; elas são conjecturas. E dietas pobres em sal poderia ter efeitos colaterais: quando o sal é cortado, o corpo responde liberando renina e aldosterona - uma enzima e um hormônio, respectivamente - que elevam a pressão.


Ao invés de criar políticas drásticas sobre o sal baseadas em dados contraditórios, Alderman e seu colega Hill Cohen propõem que o governo patrocine um grande ensaio clínico controlado para ver o que acontece ao longo de tempo com as pessoas que seguem uma dieta de pouco sal. Appel responde que tal estudo “não pode e não será feito”, em parte por seu alto custo. Mas a não ser que tenhamos dados claros, campanhas evangélicas anti-sal não são apenas baseadas em ciência frágil - elas são, em última análise, injustas. “Um grande número de promessas estão sendo feitas ao público em relação a um enorme benefício e vidas salvas”, diz Cohen. Mas é tudo baseado em “extrapolações altamente especulativas”
Em maio de 2013 o New York Times publicou um artigo com o seguinte título No Benefit Seen in Sharp Limits on Salt in Diet, neste artigo os autores chegam as seguintes conclusões [novamente vou "me aproveitar" da tradução do Dr. Souto]:
Um novo comitê com prestigiados cientistas concluiu que não há motivo para reduzir o sódio aos níveis recomendados pelas diretrizes vigentes;

Quando se consome menos de 2300 mg de sódio ao dia, a mortalidade aumenta;
Mesmo em pacientes com insuficiência cardíaca, a restrição severa de sódio aumenta em 3x as internações e em 2x as mortes;

Em pacientes hipertensos, consumir menos de 3g de sódio ao dia AUMENTA o risco de ataques cardíacos, derrames, insuficiência cardíaca congestiva e morte por causas cardiovasculares (mais de 7 gramas/dia também aumenta o risco - mas isso equivale a 17 gramas de sal!);

Consumir pouco sal aumenta a resistência à insulina e os triglicerídeos;

Esse aumento da resistência a insulina me parece uma alteração preocupante em relação a restrição do sal, como já escrevi em outra postagem, a resistência a insulina esta associada, com diabetes, Alzheimer, doenças cardiovasculares e obesidade.
Um trabalho realizado por Feldman e Schmidt em 2013 demonstrou que a redução da ingestão de sal leva a resistência a insulina e uma diminuição da capacidade de dilatação dos vasos sanguíneos. E este poderia ser o mecanismo pelo qual dieta com redução de sal não é efetiva para a diminuição da pressão arterial.
É importante citar que uma ingestão reduzida de sal pode diminuir nossa capacidade de eliminar o sal. Existe uma substância chamada Aldosterona que tem como função aumentar a absorção de sódio pelos rins, quando os níveis de sódio são menores do que 2,6-4,8 gramas [que são os valores normais, veja o link] os níveis de Aldosterona aumentam para evitar maiores reduções nos níveis de sódio. Assim se você quer que sua capacidade de eliminar sódio se mantenha normal, mantenha normal seu nível de sódio e não siga a recomendação de ingerir menos de 2 gramas de sódio por dia.
O Sal e o Exercício
Em relação as pessoas que fazem exercício uma ingestão adequada de sal é fundamental, pois o sódio é vital para a contração muscular e consequentemente para a produção de força.
As pessoas que tem como objetivo emagrecer também podem ter os resultados comprometidos pela restrição de sal. Isso acontece pois um aumento da resistência a insulina, que esta associada com obesidade [veja aqui e aqui], poderá acontecer com uma dieta com pouco sódio [como já mencionado].
Sabemos que uma uma dieta com redução de carboidratos e aumento da ingestão de gorduras [Dieta Evolutiva] é a mais efetiva para emagrecer [veja aqui], por esse motivo devemos dar atenção especial a ingestão de sódio/sal das pessoas que combinam essa dieta com exercício. 
Isso é importante pois a diminuição nos níveis de insulina, que também tem a função de estimular a absorção sódio pelos rins, irá ocorrer com uma dieta evolutiva favorecendo a eliminação de sódio. Jeff Volek em seu livro The Art and Science of Low Carbohydrate Performance recomenda uma suplementação de 1-2 gramas de sódio [cerca 2,5 a 5 gramas de sal] por dia para indivíduos que tenham uma dieta com redução de carboidratos.
Então se as pessoas devem ingerir pelo menos 2,6 gramas de sódio por dia, o que representa cerca de 6 gramas de sal [cada grama de sal tem 0,4 gramas de sódio], para:
  • Manter sua eliminação de sal efetiva 
  • Evitar resistência a insulina 
  • Manter níveis normais de produção de força 
  • Potencializar o emagrecimento
  • Diminuir o risco de doenças cardiovasculares
  • Diminuir o risco de derrames
  • Evitar a elevação dos triglicerídeos
E se também vimos nos textos reproduzidos e trabalhos citados anteriormente que a redução de sal na dieta não é efetiva para diminuição da hipertensão arterial, por qual motivo as autoridades nos recomendam comer menos sal? Talvez a resposta esteja outra vez em uma interpretação equivocada das informações científicas!

Para finalizar, se considerarmos que uma ingestão saudável de sódio é de pelo menos 3 gramas por dia [Em pacientes hipertensos, consumir menos de 3g de sódio ao dia AUMENTA o risco de ataques cardíacos, derrames, insuficiência cardíaca congestiva e morte por causas cardiovasculares] o que equivale a 7,5 gramas [1 g de sal = 0,4 g de sódio] e que pessoas com uma dieta evolutiva devem ingerir pelo menos mais 1 grama de sódio por [2,5 gramas de sal], podemos então recomendar uma ingestão diária de até cerca 10 gramas de sal.

Essa recomendação é importante para aquelas pessoas que tem um estilo de vida evolutivo [dieta, treinamento e repouso] e também para as pessoas que apreciam comer alimentos com sabor.


Carlinhos
treinamentocarlinhos@gmail.com

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

A culpa é das Estrelas - Parte 2

Na minha última postagem citei um filme com este título que conta a história do relacionamento de dois jovens com câncer e questionei se com esse título o autor quis dizer que algumas coisas relacionadas com a saúde acontecem ao acaso ou são determinadas pelo destino. Então mostrei que as doenças cardiovasculares, o câncer, assim como o diabetes podem estar relacionadas com hábitos alimentares que são considerados saudáveis e são também recomendados pela maioria dos profissionais da saúde e pelo nosso Ministério da Saúde.


Depois de escrever a postagem encontrei um artigo [leia aqui] escrito Mark Bittman e publicado no dia 25 de setembro no site do The New York Times, caso vocês queiram ler o artigo em português o Hilton de Souza do www.paleodiario.com.br já providenciou a tradução [veja aqui].

No parágrafo final do artigo de Bittman escreve:

"The link between diet and dementia negates our notion of Alzheimer’s as a condition that befalls us by chance." [A ligação entre dieta e demência nega a nossa noção de que o Alzheimer é uma condição que nos afeta por acaso.]

Ou seja a "culpa" do Mal de Alzheimer não é das Estrelas!

O autor cita que nos próximos 40 anos é esperado que o custo com o Mal de Alzheimer chegue a 1 trilhão de dólares pela estimativa do surgimento de mais de 115 milhões de casos da doença nos EUA. No Brasil temos cerca de 1 milhão e 200 mil casos de Mal de Alzheimer, sendo a principal causa de demência entre os idosos a partir dos 65 anos.

As informações oficiais do nosso governo, no Portal Brasil, dizem o seguinte sobre a doença:
O Alzheimer é degenerativo, mais comum após os 65 anos de idade e caracteriza-se pela perda progressiva de células neurais. A médica Sonia Brucki, do Departamento Científico de Neurologia Cognitiva e do Envelhecimento da Academia Brasileira de Neurologia, explica que há um acúmulo anômalo de algumas proteínas no tecido cerebral que provoca a morte dos neurônios. 
Até agora se acredita que isso seja multifatorial, causado por componente genético, fatores externos (baixa escolaridade, por exemplo), alterações vasculares (hipertensão, diabetes etc.), traumatismos cranianos com perda de consciência, alterações nutricionais e depressão”, enumera. Outros problemas podem causar demências, por exemplo, deficit de vitaminas, doenças da tireoide, alterações renais, portanto doenças que podem ser evitadas.
Atualmente, não existe medicação disponível para evitar esse acúmulo de proteínas, mas há medicamentos que retardam a progressão do Alzheimer. Algumas medicações, fornecidas gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), aumentam uma substância no cérebro que, em menor quantidade, traz alterações na memória. 
Os sintomas geralmente são desenvolvidos lentamente e pioram com o tempo. Alguns pacientes conseguem ter uma redução progressiva da doença, mas outros não conseguem voltar à normalidade. Em casos mais graves, o paciente pode ter apatia, depressão, alucinação e pensamentos delirantes. 
Bah!!! várias coisas podem causar Alzheimer, como ficar mais velho e até mesmo não estudar! Não existe medicação para a doença e depois de diagnosticada a doença o quadro somente piore.

Um trabalho publicado em 2012 [Obesity phenotypes in midlife and cognition in early old age: the Whitehall II cohort studymostrou a relação entre obesidade e perda da função cognitiva. Outro trabalho publicado em 2012 [Relative intake of macronutrients impacts risk of mild cognitive impairment or dementia] mostrou que o risco de sofrer diminuição da capacidade cognitiva aumenta com uma dieta com alto percentual de carboidratos e reduzido percentual de gorduras. Estes dois trabalhos não são estudos experimentais randomizados [veja o que são estes estudo são aqui], eles são estudos que podem ser incluídos no grupo de estudo observacionais [veja o que são estes estudo são aqui] que nos fornecem uma correlação [duas coisas que acontecem juntas] e não relação de causa e efeito. Dessa forma é necessário cautela para fazer determinadas afirmações, pois a relação do peso corporal ou IMC [índice de massa corporal] é complexa como demonstrou um trabalho publicado em 2014 [Body mass index in dementia].

Peço que vocês leiam com atenção o resumo de mais um trabalho, publicado em 2012, chamado Insulin as a Bridge between Type 2 Diabetes and Alzheimer Disease – How Anti-Diabetics Could be a Solution for Dementia.
A diabetes tipo 2 (DM2) e doença de Alzheimer (DA) são dois dos maiores problemas de saúde hoje em dia. Diabetes tipo 2 é uma epidemia crescente, afetando milhões de pessoas idosas em todo o mundo, com grandes repercussões na vida diária dos pacientes. Isto é principalmente devido às suas complicações crônicas que podem afetar o cérebro e constitui um fator de risco para a DA. A principal característica DT2 é a resistência à insulina, que também ocorre na DA, tornando ambas as patologias mais do que meras doenças não relacionadas. Esta hipótese tem sido reforçada nos últimos anos, com um elevado número de estudos destacando a existência de várias ligações moleculares comuns. Como tal, não é de estranhar que DA atualmente seja considerada como "diabetes tipo 3" ou um "DT2 específica do cérebro", apoiando a ideia de que uma estratégia terapêutica benéfica contra a DT2 pode ser também benéfica contra DA. Com isto, pretendemos rever alguns dos recentes desenvolvimentos dos recursos comuns entre diabetes tipo 2 e AD, ou seja, na sinalização da insulina e sua participação na regulação da β-amilóide (Aâ) a placa bacteriana e formação de emaranhados neurofibrilares (as duas principais características neuropatológicas da DA) . Nós também vamos analisar criticamente o campo promissor que algumas drogas anti-DT2 podem proteger contra a demência.

Como vocês leram no parágrafo anterior o problema pode ser a resistência a insulina, para que vocês entendam bem o que isso significa vou reproduzir a explicação para esse termo do Dr. José Carlos Souto.

Nosso corpo é altamente regulado. É extremamente comum que os receptores para qualquer substância, seja ela um hormônio, um neurotransmissor ou o que for, aumentem ou diminuam em resposta ao estímulo. Quando entramos em um ambiente com algum cheiro, sentimos imediatamente. Mas após vários minutos neste ambiente, deixamos de sentir o cheiro - os receptores em nosso nariz deixam de responder. Precisamos sair, ficar vários minutos fora, e voltar para sentir o cheiro novamente. Se estamos na rua, com sol, e entramos em uma sala de cinema, ficamos temporariamente cegos - os receptores luminosos de nossa retina estão pouco responsivos, na medida em que estavam super-estimulados pelo excesso de luz. Após vários minutos, começamos a enxergar no escuro - as moléculas foto-receptoras da retina ficam cada vez mais responsivas. Quando saímos do cinema para o sol, ficamos ofuscados. Mas, após vários minutos de super-estimulação, a quantidade de foto-receptores da retina diminui drasticamente, e podemos enxergar perfeitamente. O termo em inglês para isso é "downregulation", literalmente "regulação para baixo". Quando ficamos no sol, temos um downregulation dos foto-receptores de nossas retinas - será necessário mais luz para estimulá-los
No diabetes tipo 2, a insulina é produzida normalmente (ao menos nos primeiros anos da doença); o que ocorre é a resistência à insulina, ou seja, as células deixam de responder a este hormônio. A resposta do organismo é aumentar a quantidade de insulina produzida. É como se a insulina fosse um "som", que as células pudessem ouvir; se as células vão ficando "surdas", é necessário "gritar" mais alto para que elas escutem. E, como no caso da surdez, quanto mais tempo se mantem o som alto, mais surdas elas ficam - é um ciclo vicioso. Na medida em que as células deixam de responder à insulina, o açúcar acumula-se no sangue.

Então parece que existe um forte relação entre a resistência a insulina e o risco de desenvolver o Mal de Alzheimer. Dessa forma poderíamos dizer que aquilo que pode levar a um aumento da resistência a insulina, também poderia levar ao Mal de Alzheimer.

Assim se nossa glicose sanguínea permanecer elevada, nossos níveis de insulina também serão elevados e isso irá levar a um aumento da resistência a insulina. Para medir os níveis de glicose sanguínea [consequentemente os níveis de insulina] de forma efetiva é importante fazer um exame chamado de Hemoglobina Glicada. Hemoglobina é uma proteína que transporta oxigênio no nosso sangue, essa proteína tem um tempo de vida de cerca de 90 dias, quando os níveis de glicose permanecerem elevados a hemoglobina se tornar glicada. Dessa forma esse exame tem a capacidade de mostrar quão elevada esteve nossa glicose sanguínea durante um período de 60-90 dias.

A dieta mais efetiva para redução dos níveis de hemoglobina glicada são as dietas com restrição de carboidratos, isso foi demonstrado por um importante trabalho publicado este ano, chamado Dietary carbohydrate restriction as the first approach in diabetes management: Critical review and evidence base. Dessa forma se uma dieta com redução de carboidratos, principalmente a exclusão dos alimentos com origem em grãos, alimentos ricos em açúcar e industrializados [Dieta Evolutiva] é efetiva para controlar a diabetes, que tem parece ter relação com a resistência a insulina, ela também pode ser efetiva para prevenir o Mal de Alzheimer.

Ok! Carlinhos tu mesmo escreveu que os trabalhos que ligam resistência a insulina e a ingestão elevada de carboidratos a diminuição cognitiva e demência não mostram uma relação de causa e efeito, assim como é que níveis elevados de insulina podem levar ao surgimento do Mal de Alzheimer?

A morte dos neurônios que ocorre no Mal de Alzheimer esta relacionada com a formação de uma placa de proteica que envolve os neurônios, chamada de placa amiloide. Essa placa tem como percussora uma proteína chamada beta amiloide, essa proteína é formada normalmente no nosso organismo e em cérebros saudáveis ela não leva ao mal de Alzheimer. Como diz o Neurologista Rudolph Tanzi [no livro Good Calories Bad Calories, página 207] a questão é saber porque em algumas pessoas isso leva ao desenvolvimento dos sintomas do Mal de Alzheimer?


Em 2014 foi publicado o primeiro estudo [Insulin resistance predicts brain amyloid deposition in late middle-aged adultsque demonstrou a relação entre a resistência a insulina e um aumento dos depósitos de placas amiloide nos neurônios de adultos de meia idade que apresentam níveis de glicemia normais, mas apresentam resistência a insulina.

O mecanismo que relaciona níveis cronicamente elevados com a formação de placa amiloide foi descrito pela pesquisadora Suzanne Craft [no livro Good Calories Bad Calories -página 208]. Ela explica que existe uma substância chamada IDE [insulin-degrading enzyme], esta enzima tem a capacidade de degradar [destruir] a proteína amiloide e também a insulina ao redor dos neurônios. A IDE "prefere" degradar a insulina e não a proteína amiloide, o que faria os níveis de proteína amiloide aumentarem nos neurônio e por sua vez levaria aos sintomas do Mal de Alzheimer. A relação de IDE com Alzheimer já foi demonstrado em uma trabalho com animais realizado em 2004 [Partial Loss-of-Function Mutations in Insulin-Degrading Enzyme that Induce Diabetes also Impair Degradation of Amyloid β-Protein].


Essas informações mostram que qualquer abordagem que diminua a resistência a insulina, que evite níveis crônicos de insulina elevada irá também diminuir a probabilidade do desenvolvimento Mal de Alzheimer. Entre estas abordagem podemos incluir uma dieta [dieta evolutiva]que englobe os seguintes aspectos:

  • Comer comida de verdade
  • Eliminar os alimentos que tenham grãos
  • Eliminar o açúcar
  • Reduzir ao máximo os alimentos industrializados
  • Aumentar a ingestão das gordurais naturais do alimentos
  • Não ter medo de comer carne

Parece que uma dieta evolutiva pode reduzir o risco de mal de Alzheimer já essa doença, assim como as doenças cardiovasculares, o diabetes e o câncer não parecem ser causados pelas estrelas! Se você acreditar que essas alterações são muito difíceis ou não se justifiquem, talvez no futuro você ou alguém da sua família precise do cartaz que encontrei na internet e aparece abaixo.


Carlinhos
treinamentocarlinhos@gmail.com